Caracterização

GEOGRAFIA
A freguesia de Calvão, ocupando uma área de 19 quilómetros quadrados, localizada no externo Sul do Distrito de Aveiro, dista cerca de 10 quilómetros do mar, distando da sede do concelho cerca de 10 quilómetros, de Aveiro cerca de 21 quilómetros e de Coimbra cerca de 50 quilómetros.
Inserida na denominada Região da Gândara, confina com as freguesias do Seixo (Mira) e Fonte de Angeão, a Sul, de Santo André, a Norte, Ponte de Vagos, a Nascente, e Gafanha da Boa Hora, a Poente, fazendo fronteira com o Concelho de Mira e com o Distrito de Coimbra.
Compõe esta freguesia  os lugares de Calvão, Canto de Calvão, Cabecinhas, Choca do Mar, Junco do Bico e Parada de Baixo.
 
Calvão estende-se ao longo da estrada nacional 109.
 
DEMOGRAFIA
Valores apresentados com base nos resultados do Instituto Nacional de Estatistica, Censos 2011
 
• População Residente Total - 2014
• População Residente Homens - 1011 
• População Residente Mulheres - 1003
• População Presente Total - 1965
• População Presente Homens - 977 
• População Presente Mulheres - 988
• Famílias - 720
• Alojamentos  - 942
• Edifícios - 892
 
LAGOA DE CALVÃO
Perde-se na memória dos tempos o usufruto comunitário desse espaço aquático que é o Barreiro de Calvão, que inclusive no séc. XIX dava o nome à aldeia: Calvão da Lagoa, assim referido nos dicionários toponímicos da época. Primitivo espaço comunitário da produção de adobe, ou pelo contrário lagoa natural, confluência a cota baixa de águas de valas e riachos, ninguém sabe ao certo. Não é por acaso que Calvão forneceu durante anos o melhor da mão-de-obra para a frota das traineiras e da pesca do bacalhau. Um navio bacalhoeiro ostentou na sua proa o nome de Calvão, pois assim foi baptizado no bota-abaixo. A lagoa foi a melhor escola de natação de sucessivas gerações e primitiva escola de pesca.
O Barreiro de Calvão é um exemplo claro e límpido de usurpação dum baldio. No tempo de Salazar, em que todas as manigâncias eram possíveis, à sombra de uma duvidosa legalidade, através de proclamos públicos a Câmara de Vagos apropriou-se desse espaço por usucapião, ou a título de "res nullius", não sabemos ao certo. A Câmara liderou o processo, apropriou-se do lago e entregou-o depois à Diocese, recebendo em troca o triângulo da capela do Espírito Santo em Vagos. Deste modo se subtraiu ao povo um bem comunal, ficando a Câmara com património histórico de nula rendibilidade. É refúgio duma extensa colónia de rabilas (ave cuja existência nesta zona aparece já mencionada em documentos medievais) e que convêm a todo o custo preservar. Ora a lei dos baldios (a última legislação é de 1993) é clara: é nulo qualquer negócio jurídico que recaia sobre baldios.