Grupo Desportivo de Calvão

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A jovem população masculina de Calvão foi, desde os tempos que abarcam na memória das pessoas mais idosas, sempre muito dada ao desporto. Jogos como o do pau, malha e futebol fazem parte ainda hoje desse estendal de imorredouras memórias.
Conta o Sr. Ângelo Margarido que, já pelo idos anos 30, havia em Calvão uma grande equipa de futebol que dava cartas nas redondezas e se empenhava na participação em torneios e jogos particulares. São atletas dessa época Albino Matias, Rogério Crilo, João Battoco, Manuel Ponte, Laurindo Brites e Angelino Fresco. Este era o elemento mais dinâmico. A sua actividade profissional de comerciante de gado permitia-lhe arranjar tempo para organizar os jogos e torneios e ainda se o orientador da equipa.
Já depois, aí pela década de quarenta, o Largo da Feira de Calvão, hoje Casa do Povo e Pré-Escola, como ponto central que congregava todas as gentes da freguesia, era o campo escolhido para a realização dos encontros. Ficava próximo do Barreiro ou Lagoa de Calvão onde, no Verão, até sabia muito bem dar um mergulho depois do esforço dispendido
Nos dias 2 e 17 de cada mês realizava-se aí a feira. O piso ficava impróprio para a prática de futebol, mas os atletas limpavam os detritos deixados (cascas de berbigão e outros) para poderem jogar aos domingos. Equipamento não havia; era o tempo do “pé descalço”. As balizas eram construídas um pouco “ad hoc” e as marcações laterais bem como as do próprio recinto mais não eram que sulcos abertos no chão com um pau. O fora de jogo era regra desconhecida e o árbitro, escolhido de comum acordo, via-se grego para ver aplicadas as suas decisões. Fiscais de linha eram um luxo proibido, porque não havia quem; o que todos queriam era jogar à bola!...
Para além de Calvão praticavam este modelo simples de futebol mais algumas localidades, tais como Lagoa de Mira, Seixo de Mira, Ponte de Vagos e Vigia.
Embora não houvesse equipamentos e chuteiras, era essencial, como é obvio, haver uma bola. Nessa altura era um objecto caro para as parcas bolsas de então. Procedia-se a subscrição entre os atletas  simpatizantes sempre que era necessário comprar uma.
Na década de cinquenta o futebol começou a impor-se aos outros passatempos ocasionando uma grande receptividade por parte da população que acompanhava a sua equipa nas deslocações às terras vizinhas. O transporte fazia-se de bicicleta, mas muitas pessoas deslocavam-se a pé. No Verão eram frequentes os torneios organizados por altura das festas dos Santos Padroeiros. Era neste período do ano que se encontravam de férias os estudantesseminaristas de Calvão, que já praticavam um futebol com alguns primores de ordem técnica; por isso a nossa equipa era admirada e temida nas redondezas. Por esta altura começaram a ficar célebres os embates com a freguesia vizinha de Ponte de Vagos, começando a germinar, então uma rivalidade sadia que haveria de chegar aos dias de hoje.
No inicio da segunda metade da década de cinquenta, por razões de ordem sanitária, a Junta de Freguesia foi obrigada a dividir a área do recinto da Feira em zonas demarcadas e individualizadas para o comercio de gado, peixe e outras actividades (vestuário, alfaias domésticas e produtos agrícolas). Foram construídos muros de separação e o recinto, até aí amplo, tornou-se exíguo para a prática de futebol sénior.
Frente ao colégio de Calvão, existia uma área plana e coberta de relva (ervas daninhas como grama, felga, etc.) embora com bastante areia, onde foram feitas de pinheiros. Era nesse espaço que, os mais entusiastas, aos domingos, se dedicavam a prática do futebol.
A reconstrução do Colégio, para ai funcionar o Seminário Menor de Aveiro, viria a condicionar a utilização dessa zona. Após a sua inauguração, em 11/12/1958, preparou-se uma área na zona de areia, entre o edifício e a duna do Colégio, que foi ensaibrada e onde se colocaram balizas de madeiras. O espaço não tinha as medidas mínimas para a prática de futebol associativo mas servia para a prática desportiva, tanto dos estudantes do Seminário como da restante população jovem da localidade. Foi aí que passaram a realiza-se os encontros amigáveis.
Nas ferias grandes de 1966, o Eugénio Ramos, em encontro casual com o então estudante Manuel Ferreira, que havia entrado para o seminário com idade superior ao que eram habitual, após ter sido presidente da J. A.C. e carteiro durante alguns anos, fez transparecer o desejo de se construir em Calvão, um campo para a prática de futebol “a sério”. A ideia foi amadurecendo e após novas conversas com o Eugénio, o Manuel Ferreira começou a trabalhar em ordem a concretização desse anseio dos jovens de Calvão. Imaginou uma localização central em relação a área geográfica da freguesia, nos Pandeirinhos, próximo da Fonte da Choca, mas o espaço era pequeno. Optou então pelas dunas situadas a sul de Barreiro. Devido ao seu pouco valor económico, várias pessoas cederam parcelas de terrenos e que a seguir se discriminam: António José da Silva “Capela”, João dos Santos Rocha, Moisés Clemêncio, Laurindo Neto, Manuel Margarido e Florinda de Jesus Ponte. Como nesta situação de terrenos existem sempre enganos ou equívocos, o Sr. José dos Coelhos, como era conhecido, declarou-se indevidamente dono duma parcela de terreno e vendeu-a ao Manuel Ferreira e Eugénio pelo preço de 900$00; só passando um mês se descobriu que afinal o terreno não lhe pertencia. No entanto, o dinheiro nunca retornou as respectivas pessoas. Depois de doados as parcelas de terrenos, criou-se uma Comissão Directiva e Administrativa constituída pelos citados Manuel Ferreira e Eugénio e pelo Dr. Cláudino Domingues Ribeiro, tendo se de seguida procedido ao nivelamento do local e ao enchimento com entulho grosso e, por fim saibro.
Foi então aí construído um campo de futebol com pouco mais que as medidas mínimas, sendo a vedação do recinto feita com pinheiros finos descascados. Foi um trabalho árduo, fruto de muitas boas vontades e larga generosidade, que mereceu, a 31 de Agosto de 1969, uma festa de inauguração da qual constaram os seguintes actos: 10,00 horas – Desafio de futebol entre a equipa de Calvão e os jovens estudantes da freguesia.
17,00 horas – Corte da fita pelo Sr. Prof. Ernesto das Neves, Presidente da Câmara Municipal de Vagos e a bênção do Campo pelo pároco P. José de Jesus Capela, tendo de seguida o Sr. Presidente da Câmara dado o pontapé de saída do jogo entre as equipas do Ala-arriba e de Sousa, jogo esse que foi ganho pela equipa de Mira, que pelo feito, recebeu uma taça.
Iniciou-se de seguida a construção de balneário que no fim das férias grandes de 1969, ficaram aptos a apoiar a prática desportiva embora por rebocar. A água era tirada a bomba manual que para recordação, ainda lá se mantêm a funcionar.
Formou-se então uma Direcção para velar pelos interesses da colectividade presidida pelo Padre Manuel Araújo Martins, professor no Seminário e atleta do Grupo Desportivo de Calvão.
Nas ferias de Verão 1970 o Manuel Ferreira foi a Venezuela angariar fundos junto dos emigrantes de Calvão e não só, para pagamento da divida proveniente das obras efectuadas até então.
Pouco tempo depois iniciou-se a construção do muro de vedação e , devido aos elevados gastos, nas ferias grandes de 1972, as ultimas antes do Manuel Ferreira ser ordenado Padre, lá foi até a França e Alemanha angariar mais uns tostões junto das colónias de emigrantes das freguesia de Calvão e Ponte de Vagos para o pagamento do resto do muro. Estavam, pois, criadas as condições mínimas para que o futebol em Calvão se organizasse com vista a voos mais altos.
O passo a ser dado em seguida era escolher as cores do equipamento e o emblema identificativo do clube. Quanto ao primeiro foi relativamente fácil de resolver. O Beira Mar era, já nessa altura, uma equipa com implantação popular e o Angelino Apolinário, natural de Calvão e que tinha sido um bom praticante da modalidade, antes de emigrar para a Venezuela, integrava, nessa época a Equipa Directiva, dos auri – negros de Aveiro. Assim o amarelo e preto vieram a ser as cores do Grupo Desportivo de Calvão muito por influência deste nosso conterrâneo. O emblema foi imaginado pelo Manuel Ferreira. O aperto de mãos, com cores diferentes, para além de simbolizar os adversários futebolísticos, mostra também que o respeito, amizade e igualdade entre os mesmos, deve presidir a todos os actos entre os homens. O logótipo e arranjo estético e artístico esteve a cargo do então estudante em Coimbra, Paulo Frade.
Foi na época de 1970/71 que o Grupo desportivo de Calvão se inscreveu, pela primeira vez, em provas oficiais de prática desportiva ao participar no Campeonato Distrital de Futebol da 2ª Divisão da Associação de Futebol de Aveiro, tendo comemorado na época de 1995/96 as suas Bodas de Prata.
Foram estes homens que, com a inscrição do clube e participação nos campeonatos federados da A.F.A., perspectivaram uma nova face para o desporto em Calvão que já vinha tendo grande implantação desde a década de 30.
Iniciou-se uma nova era, e a freguesia de Calvão com o seu Grupo Desportivo foi, na época de 1970/71 a primeira equipa do concelho de Vagos a possuir um clube federado, tendo participado nessa época na zona B da 2ª Divisão Distrital e conseguido um honroso 4º lugar.
O número de jogadores/atletas da terra era então insuficiente para se formar uma equipa capaz, uma vez que convém, por variadíssimas razões, que a mesma tenha pelo menos 20 jogadores inscritos. Foi assim que o G.D. Calvão recorreu a atletas das terras vizinhas e a professores/Padres do Seminário os Padres Costas Leite, Fontes, Eurico e Adérico.
Depois de três época de algum fulgor e entusiasmo, tanto a nível directivo como de resultados desportivos, o Clube passou nos anos seguintes por uma fase menos boa, reflexo ainda, talvez, dos momentos agitados que se viveram a seguir à revolução de Abril. 
No entanto, sempre se manteve activo e participando nos campeonatos distritais, até que na época 1978/79 não inscreveu a equipa no escalão Sénior das competições, pela primeira vez, no Campeonato Distrital de iniciados ficando classificando em 6º lugar. Na época de 1970/80 voltou a participar na categoria de Seniores, situação que se tem mantido ininterruptamente até esta data. A concretização da continuidade de participação nos campeonatos nestas últimas duas épocas (78/79 e 79/80) só foi possível devido a “carolice” e esforço do Sr. Claudino Rocha Júnior e Eugénio Ramos. Em 1983 a Freguesia de Calvão chegou a passar por momentos difíceis. Desentendimentos sobre a forma como a comunidade deveria evoluir nos aspectos religioso e social criaram clivagens acentuadas. Como e quando terminaram estes momentos difíceis? … de que forma ajudou o G.D. C. a sarar feridas de certas maneiras profundas? …
A evolução da situação criada entre os mais idosos passou as crianças e jovens que necessitavam de motivação e ocupação. Assim, um duo de pessoas de Calvão, como a anuência da então Direcção do Clube, inscreveu uma equipa de Infantis que participou no Campeonato Distrital de 1983/84, tendo ficado em 2º lugar da sua Série. Esta iniciativa criou de tal modo raízes que na época de 1984/85 se constituiu uma nova equipa. Isto foi possível através de um subsídio da AFA, da colaboração do país e do assumir das restantes despesas (transportes, lanches e equipamentos) pelo duo responsável pelo renascer do futebol juvenil em Calv&atild